
Quando a vida te oferece um sonho muito além de todas as suas expectativas, é inevitável se lamentar quando isso chega ao fim. Mas o tempo passa. Mesmo quando isso parece impossível, mesmo quando cada batida do relógio dói como o sangue pulsando sobre um hematoma. Passa de modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa. E quando se ama alguém que vai matá-la, não restam alternativas. Como se pode correr, como se pode lutar, quando essa atitude magoaria o amado? Se sua vida é tudo que você tem para dar ao amado, como não dá-la quando é alguém que você ama de verdade? E essas alegrias violentas têm fins violentos, falecendo num triunfo como fogo e pólvora que num beijo se consomem. Alguns dizem que o mundo acabará em fogo. Outros, dizem em gelo. Pelo que provei do desejo, fico com quem prefere o fogo, mas se tivesse de parecer duas vezes, acho que conheço o bastante do ódio para perceber que a ruína pelo gelo também seria ótima, e bastaria. Mas no final, a vida é só mais uma droga, e depois, você morre. Mas... e se você pudesse viver pra sempre? Pra que viveria?
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